sábado, 9 de abril de 2011

Dia da minha aula e dia da tua folga...

A universidade completamente vazia... chove, chove muito!!!!
Caminho em direção ao prédio completamente arrependida de ter ido à aula. Saco, a essa hora deveria estar em casa tomando uma boa xícara de café.
São 17:45, olho as pessoas no hall de entrada sem fixar minha atenção em nenhuma delas... tua imagem, mais precisamente teu sorriso, não sai da minha cabeça...
Saudade... começo a sentir saudades suas, das carícias, dos beijos... Penso o quanto seria bom se vc aparecesse, mas logo tenho um ataque de lucidez e digo – Não moça, hj seria quase impossível cruzar com ela nesses corredores.
Paro para um café, converso com algumas pessoas e continuo a caminhar pelos corredores em direção ao prédio onde teria minha aulinha linda e fria... Me deparo, como de costume, com o corredor escuro e vazio. Paro e penso: é melhor esperar alguém aparecer- tá tenso isso! Pq eu sempre chego cedo? É nisso que dá sua boba! Morra de medo agora- fico me punindo... Mas continuo caminhando, lutando contra o medo, testando meus limites, nada me faz parar!
No corredor de entrada do prédio – admiro a chuva caindo através da porta principal, paro e fico olhando lá fora, agradecendo o espetáculo que a chuva estava me dando de presente- por segundos acredito sentir teu cheiro e continuo a caminhada me intitulando de louca!  
Ao dobrar o corredor vazio  ali está a dona do cheiro- A minha Bella – linda, no final do corredor a minha espera. De imediato escancaro um sorriso e dou uma olhadela para trás me assegurando de que ali não havia mais ninguém além de nós duas. Caminho até vc e nos beijamos. Que beijo! Queria te devorar, e a recíproca era verdadeira... Foi insano demais aquilo – por pouco não fizemos amor ali mesmo.
Por mais de dez minutos nos entregamos uma a outra e não olhamos sequer uma única vez para trás – Num que se DANE O MUNDO! Atitude que custaria bem caro pra nós duas caso alguém nos visse ali daquele jeito. Quanto barulho nos armários dos alunos... Louco aquilo!
Vamo pro carro, anda! Quero mais de vc...
Não linda, são 6 horas já, num dá tem muita gente por aqui...
Prefere no corredor? Quero vc e é pra já – Prefere aqui mesmo???
Todo um tom de ameaça, digo logo!!! E eu me incendiando com aquilo tudo.
Me encontas na parede e inicias a brincadeira de tirar as peças de roupa – Me rendo... Sempre me rendo aos teus desejos, e agora sou eu que te imploro para irmos até o carro. Vamo, quero sim, vamo...
Caminhamos de mãos dadas - parando horrores para nos beijar- até encontrarmos o corredor que conecta um prédio a outro.
Será que tem câmera nessa porra?
Começo a gargalhar com teu comentário. Compartilhamos sorrisos, nada envergonhados, e continuamos a caminhada... Vc dá boa noite a alguns colegas de trabalho e nós, driblando os impedimentos, não deixamos que ninguém interrompa a nossa marcha apressada.
O carro nos espera no estacionamento – num lugar mega visível- nós molhadas até a alma entramos rapidamente- não fugindo da chuva, mas perseguindo o prazer.
Te devoro no sentido mais animal da palavra – peças de roupas jogadas no carro – pernas que chegam ao teto – cheiro bom de se sentir- teu cheiro, o que mais me agrada nesse mundo....
Nós ali embriagadas de desejo – nos alimentando da alma da outra, dos seios da outra, se deliciando com cada toque, com cada respiração ofegante.
Desejo muito desejo! Sonho, boca, pernas, seios, barriga, costas, clítoris, amor!!!!!!! Tudo sendo devorado ali pela minha boca como alimento de toda uma vida.
Te amei, nos amamos... Nem parecia que chovia, rapaz! Outra dimensão... O suor escorria pelos nossos corpos à medida que a chuva fazia caminhos nos vidros do carro... lindo!!!
E chega a hora da nossa entrelaçada de pernas e com ela vem a vontade de não parar nunca mais... Ficamos ali sentadas e abraçadas por uns 15 minutos – só publicando no ouvido da outra o que se estava sentindo.... Nosso ritual de espera – espera de que nossos corpos se acalmem, espera de que o mundo permita que isso dure para sempre... espera. Incrível isso minha moça, o mesmo corpo que me agita é o corpo que me acalma- o que me faz flutuar, mas que me traz de volta - extasiada de desejo.
Bom, muito bom! Sensação de perigo!!!!!
Tô encantada contigo!
Feliz pela surpresa!!!!
Nada mais existia no mundo, só nós naquele carro- por minutos esse foi o nosso mundo- a representação de toda uma existência.
Linda, tua aula!!!!!!
Não, quero vc agora!!! Aula nunca mais!!!!
Linda, só vim te ver, mas  tenho que ir!!!!! A realidade nos espera... Tu é a mulher mais linda do mundo sabia? A mais desejada tb...
Não sei parar de olhar pra vc... Caralho tás botando pra fuder em mim, no bom sentido, claro!!! Minha vida tem outra cor agora, uma cor que não existia antes, a cor dos teus olhos...
Loucura boa de nós duas... essa mistura, essa fórmula que só a gente tem... esse desejo tão comum... esse cheiro  malbec... esse amor tão profano... tão bandido, tão insano.
Tuas definições são as melhores!!!!
Deixa eu me arrumar então...
Aí meu santo cacetinho é hj que num me concentro mesmo na aula!
Santo cacetinho é? Tua Santa agora é outra rapá! Te orienta!!!!
Sorri litros por segundo!!!!
E eu então... meus afazeres de hj vão pro espaço!!!!
É sempre muito bom flutuar com vc viu?
Bom tb linda!!!! Te amo...
Tchau!
E o último beijo da noite...
Abro a porta do carro e caminho em direção ao prédio com um sorriso largo e sem olhar pra trás. Ouço a buzina e escuto o grito da minha linda: Foi bom te ver!!!!!

# Moça, tb foi bom te ver!!!! Apareça mais vezes para tornar os dias de minhas aulas e de tuas folgas inesquecíveis! Será um prazer esperar pela aula ao teu lado.

terça-feira, 15 de março de 2011

Duas horas em off

Que inferno eu vivi... Surtei! Dirigia sem saber pra que lugar ir. Peguei esta avenida e juro – não sei como fui parar tão longe. Estacionei o carro em algum lugar e o trajeto feito foi apagado da minha memória, nem existiu. Medo- eu não encontrava uma direção, entende? Era um carro desgovernado atropelando todo mundo que via pela frente. PERDIDA, exatamente isso – me senti perdida, traída, ferida. Por um minuto eu achei que não te conhecia mais. E o sentimento de te perder foi também o de me perder. Louco pra caralho!
Por duas horas eu morri - sem ar, sem lar. Tava sufocando aqui, se não fosse Ju na escuta eu nem sei. Pensei em tanta coisa... Nunca te vi tão descontrolada- senti que te perdia a cada minuto que passava.
Não quero que a gente perca isso – é um querer tão grande, tô assustada – nem raiva de vc consigo sustentar por muito tempo – EXATAS DUAS HORAS.
Vc não me escuta. Isso também me assusta! Esta loucura toda me assusta.
Eu te quero tanto! Um dia ia parar pra te ouvir. E pensando bem foi até nobre da tua parte- TE ADMIRO MAIS AGORA. Não me esconde nada, nada mais.
Moça, nunca faça nada, tome decisão alguma antes de me escutar. É injusto com a gente!
Tá, pode deixar!  – Comece a falar o que quiser agora que eu destino minha vida toda a te ouvir.

# Pedacinhos de tudo aquilo que conversamos ontem - UM DIA QUE QUASE NÃO EXISTIU. Alguém já ouviu falar em dia com 22 horas?
Aff! Que alívio!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tem como não amar - enlouquecer por essa criatura?

EU P DA VIDA CONTIGO!

Foda, isso! Não atende o telefone, não dá sinal de vida... Só escuta o que quer escutar e só enxerga o que lhe convém! É uma pena! Tanta coisa ainda por dizer e nem me deram tempo... E não adianta bater na minha porta pedindo pra tomar banho que ACABEI DE QUEBRAR O CHUVEIRO!


TU NEM, NEM PRA ISSO TUDO!

Queria ir aí tomar um banho e te dar uns beijos, mas fiquei sabendo que o chuveiro quebrou. Então reorganizei minha agenda - resolvi mandar flores- elas chegam com uma suavidade que talvez eu não conseguisse ter. Amanhã dormimos juntas e a partir de segunda não brigamos é nunca mais! Saudades, amor!

# Moça, isso tá ficando é sério por demais! E hj, depois do susto que vc me deu-  MORRI POR EXATAS 2 HORAS (sem ar, sem lar)- num quero nem pensar em destruir isso tudo! 

quarta-feira, 9 de março de 2011

Nossa fantasia de carnaval...

Como num sonho vc surge. E num é que B sabe fazer surpresas!
Linda...
B é boa pra organizar as pessoas, rapaz! Bom B... boa B... muito boa!
Linda, um mulherão!
Deveria ser a musa da DEVASSA, digo logo!
Mas a noite tava só começando...
Cansada pacas, mas querendo mais... corro pra casa de B pra vestir a fantasia.
Minha amiga prepara um pacote completo- me deparo com uma moça pra maquiagem e cabelo. Resultado: um espetáculo!
E num é que B queria pregar uma peça em nós duas!
O meu susto foi no mercado... o da minha moça seria no baile...
E o melhor foi me organizar toda de linda e esquecer de registrar.
Mas a lembrança da noite, o nosso cheiro, tá no elevador do prédio- isso ficou registrado!
-Cadê minha moça B, num fosse pegar a danadinha não?
Eu de costas e vc nem percebe! Fiquei diferente mesmo, num foi?
Tua reação: massa!
-Quem foi a puta que pariu essa linda?
-Respeita tua sogra, rapaz!
-Amor tu ficou linda... massa com o cabelo e a maquiagem... poxa! Quero tirar tudo isso, tudo!
E a gente ali... tu me olhando dos pés a cabeça e eu querendo mais é que tu virasse pra eu ver tuas pernas e tuas curvas, linda demais! Nossa!
Tu circula pra se certificar de que não conhece ninguém no baile e me puxa pra dançar.
-Vem linda, vamos dançar esta.
MÁSCARA NEGRA! Tantas lembranças, tantas...
-Vem meu Arlequim, dança máscara negra comigo.
E a gente se levanta vai até o meio do salão, dança e se beija... Ali parecia que tudo era permitido. Ninguém se espanta, ninguém nos olha com ar de reprovação... é carnaval!
E você me pergunta se conhecia a dona do apartamento.
-Não linda! Ela é amiga só de B.
Vamo então... vou dizer que você tá passando mal, confirma! # pense na pegação!
E lá vamos nós no elevador nos beijando como loucas e o 16º andar não chegava nunca!
Chegamos – um ap. por andar – o bom é que se pode aproveitar pra brincar já no corredor.
Mordidas, empurrões, gostosa pra lá e pra cá e nós ali querendo mais é invadir o ser uma da outra.
-Abre caralho! Tu sem saco nenhum com a fechadura da porta.
E eu nem pra ajudar, só te beijando o que tornava tudo mais tenso... e tu mais nervosa pra abrir a porra da porta!
-Aqui tá bom, vem! Por mim a agitação se resolveria ali mesmo no corredor.
-Não, linda! Quero tirar essa tua roupa toda! Vamo entrar!
E a porta, como se entendesse o recado, abre.
Atravessamos a sala despindo uma a outra com voracidade... vamos até a varanda... lá uma poltrona imensa nos esperava.
Me deito, lingerie e meia sete oitavos... (nunca usei isso pra homem! – é carnaval Liz- faz parte da fantasia!)  Vc já toda despida tira as peças que me restam com a boca.
- Boa... essa foi boa! Morde meus seios, minha barriga... me excita por inteira!
Te interrompo, quero começar!
Me delicio em vc... te amo como se fosse o meu último ato em vida.
Te amo como te amo, loucamente!
Entre pernas e braços, beijos e abraços, entre gemidos e carícias, entre eu te amo e te desejo nos apaixonamos mais uma vez por nós duas.
É isso, amo mais a gente agora!
Depois do vendaval a bateria de escola de samba dos nossos corações começa a 
desacelerar e a calmaria faz com que as nossas mãos procurem o corpo da outra pra passear com delicadeza não mais com fúria.
Duas mulheres lindas e uma poltrona velha! Uma varanda lúcida e duas mulheres embriagadas de desejo! Um céu de muitas Marias e duas moças apaixonadas! Duas moças que não fumam dividindo o mesmo cigarro!
Não descontamos- fumamos toda a piteira que compunha o meu figurino, que por incrível que pareça não era de mentirinha.  Bastou olhar pro lado e encontrar um isqueiro numa mesinha pra comprovar a qualidade do produto.
Como disse B: é de verdade visse Liz e é uma delícia – é de menta e é imenso! kkkkkk
Dividimos o cigarro como dividimos o prazer!
-Teu cheiro é maravilhoso!
-Teu olhar é tudo!
-Tua boca é linda!
-Te amo!
-Fica comigo até quando isso acabar?
-Fico!
- Fica comigo até eu criar coragem de jogar minha vida pro alto?
-Fico... fico até vc perceber que vida mesmo vc tem comigo!
-És Arlequim, me dás sonho mulher! Não me dás chão, não me dás vida!
- Pra que terra firme se voar é mais seguro?
-Mas custa caro!
- Pago tua passagem com todas as milhas de amor que tenho guardadas! Pago tua viagem com todo o desejo que tenho por vc, com toda essa loucura! Isso não tem limite de crédito. Isso paga tudo, isso vale tudo!
- Te amo por isso também, tens resposta pra tudo! Lindas respostas... provocantes, moça.
- Me abraça?
- Te envolvo, te amo!
-Quero você sempre assim, pra mim!
- Sou tua já, só falta você levar o pacote pra casa!
- Se eu morresse agora, pra mim tava de bom tamanho...
- Não, quero mais, sempre mais!
-És insaciável, é a idade!
-Não... é você, é o desejo!
-És uma parte tão boa de mim!
- Fico feliz, mas quero um dia poder ser uma boa parte tua e não apenas uma parte boa. Quero um espaço maior!
- Não basta ser tudo que me inquieta? Ser a única mulher que amo e amarei nessa vida, ser a minha melhor transa, ser o meu maior desejo, ser a minha paz e a minha guerra interior. Queres mais o que, moça?
- Te invadir! Viver o resto de meus dias assim... com vc.
- Loucura da minha vida! Quero anos a fio contigo também...
Deitadas e de mãos dadas ficamos ali por mais alguns minutos até voltar a nos vestir pro baile à fantasia, mas a fantasia... a verdadeira fantasia éramos nós duas ali vivendo mais um sonho.
 
# Não há memória certa que resista a tanta cana no quengo! A riqueza de detalhes na conversa só foi permitida graças a minha linda e docinha mulher ter colocado o celular pra gravar a nossa noite. É... tá gravado! Escuta moça, fica escutando... Amo tu!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Assumir isso moça, vamos?


Foi tão difícil certos momentos de minha vida... sabe?
Quando um dia quis guardar um choro que não conseguia conter;
Quando amei o primeiro garoto e decidi me declarar;
Quando fui me confessar pela primeira vez crendo possuir os mais terríveis pecados do mundo, mas mesmo assim não escondi nenhum deles;
Quando aos prantos decidi vender toda minha coleção de papeis de carta pra presentear a minha mãe;
Quando tive que me acusar para livrar inocentes de algo, mesmo conhecendo as consequências que me aguardavam;
Quando tive que me redimir e pedir perdão, ferindo um orgulho que antes era tão presente e hoje me faz tão humilde;
Quando assumi que as marcas de meu corpo eram passado morto e sepultado, mesmo sabendo que elas estarão sempre comigo;
Quando me fiz forte estando completamente devastada pela dor;
Quando quis gerar um filho e por vezes meu corpo mentiu pra mim, se fez todo sintomático-grávido declarando o amor que sentia por aquele homem e a impossibilidade de realizar o maior desejo dele;
Quando por anos só enxerguei um caminho, um único caminho mesmo sabendo que não era aquele caminho a seguir;
Quando construí impérios para outros reinarem, só por acreditar que o que fazia era o certo;
Quando decidi dar tudo o que tinha sabendo que um dia poderia olhar pra trás com saudade;
Quando optei pelo não querendo gritar um sim;
Quando decidi perdoar meus devedores mesmo que ninguém perdoe sequer uma dívida minha;
Quando vejo os pequenos que amo sofrerem e apesar de saber que nada posso fazer para cessar a dor deles digo a mim mesma todos os dias- vai passar ela é forte, ele também... vai passar!  E me destino a conviver com esse eterno pesar de nada fazer;
Quando decidi partir e desisti de uma vida com ele quando o que eu mais queria era ficar;
Quando tive que cuspir ressentimentos e apagar da memória coisas que de certo me fariam deletar amigos;
Quando resolvi voltar e meu coração só pedia pra que lá eu permanecesse;
Quando decidi assumir pra mim que te quero junto comigo por longos e maravilhosos tempos;
Minha linda, não será difícil te assumir pro mundo, já te assumi pra mim! A decisão já está tomada - é isso que eu quero e ponto!
E você? Duvido que não tenha uma lista imensa de situações em que foi difícil decidir, mas que você teve que enfrentar os medos, pois sabia que não tinha outro jeito.
E que se DANE o mundo, não é?
Sem querer pressionar, mas já pressionando... estás quase cedendo... por um fio! Não escondo de ti – cada vez sinto que te aproximas mais.
Seja por um sim ou por um não – quero definição! Decide o que fazer com isso. Anda é teu... está em tuas mãos!
Sem pesar, sem pesares...  E pesando até...  Mas em que balança se pesam sentimentos?
Pense...
Pese...
Pense....
Pese...
Decida!
Assumir isso é modificar todo o resto.
Se todas as decisões envolvem consequências - prepare-se, essas serão perversas...
Não se iluda, difícil será, fato! Mas não se grita vitória ou derrota antes do game over, muito menos antes do start.   Estarei com você, estaremos juntas, mesmo que não decidas por mim.
Respeito tua decisão como um servo, seja ela qual for. Mas tens que decidir, nem que seja pela indefinição disso tudo.
Conviver com isso e com o resto é mascarar a vida, é mentir pros que se amam e mais ainda pra si mesmo.
Quero que me digas- qual o meu papel nisso tudo? Decide a minha posição, mas não inventa uma posição que o mundo desconheça- me posiciona, anda! Pode até gritar- és a minha indefinição – te quero assim, nessa posição incerta. Mas quero ouvir algo de ti e não que me reserves esse silêncio que por vezes me diz tanto, mas que no fundo nada me diz.
A brincadeira tá uma delícia, mas vamos brincar de...
Assumir isso moça, vamos?

Quem és tu?


Quem és tu mulher que mexe com todos os meus sentidos, hein?
Que dança ao redor do meu corpo como uma borboleta curtindo o pouco tempo que tem de vida.
Que lança sobre mim os olhares mais atentos, os mais cuidadosos, os mais desejosos e os mais esperançosos de todos.
Que me ama sempre como se fosse a última vez e que me deixa também sempre temerosa de que de fato seja.
Que me faz esquecer de tudo e de todos e me preocupar unicamente com o destino de nós duas.
Que realiza todos os meus desejos, mas ignora a realização de um desejo tão comum de nós.
Que desperta em mim sentimentos tão opostos...
Sou contraditória mesmo, moça, de fato sou! Mas quem és tu?
Tu despertas em mim sentimentos tão filhos da puta... só podem ser meu bem... eles não são do mesmo pai... não, não são!
Me faz egoísta porque  não te quero dividir com ninguém e me faz generosa quando a única opção que me dás é a partilha.
Torna minha alma anárquica quando ela quer inquietar a tua, percorrer teu corpo e teus sentidos... Me transformas numa pacifista ao admirar teu semblante e querer que o mundo todo seja conduzido a esta sensação de plenitude.
Moça que me faz sentir uma iniciante- sabe primeiro dia de aula? Toda vez que me deparo com um questionamento teu. Questionas os meus desejos e minhas verdadeiras necessidades, questionas meus amigos, meus valores... pões tudo em cheque! Ao mesmo tempo me fazes sentir experiente - quando me deixas te possuir como se fosse a minha especialidade... quando me deixas ler e reler teus textos e intervir como se a tua tese de doutorado tivesse sido escrita em sete dias. Quando me olhas e me diz: Linda, o que tu acha? Caralho, isso me fode!
Tu me fazes sentir saciada quando te possuo e completamente faminta de teu corpo alguns segundos após o ato.
Saudosa quando ainda estou contigo, pois tenho certeza que as horas correm desejando nos afastar... Sinto ainda tua presença tão marcante quando mesmo por vários dias nem sequer tenho notícias tuas.
Me sinto sufocada quando queres controlar a minha vida e liberta ao teu lado,   pois me fazes viver.
Moça que me faz ser presente e ausente ao mesmo tempo. Presente para ti e ausente para os que amo; por vezes presente para ambos e ausente para comigo mesma. Mas moça, tu estás tão presente em mim que nem sinto a minha falta.
Acho que essa sou eu... ser invadido por você, ser que chora e sorri, que grita e cala, que quer te construir e destruir qualquer outro ser que também te queira, mas que é  incapaz de desejar mal aquele que dizes amar. Cadê Liz nisso tudo? Onde estará a danadinha que foi embora pra nunca mais voltar.
Hoje sou assim - ser que se desfaz e se refaz - tudo isso só porque te deseja.
Mas volto ao questionamento inicial - quem és tu?
Vai me diz, anda, já!
Diz mulher... diz porque não paro de te olhar, de te desejar, de me afundar, de te amar.
Fala! É curiosidade só. Quando souber tua identidade talvez te deixe partir.
Conheço tanto de ti, tanto... mas preciso que me digas quem é você. Quero saber se a descrição que fazes de si mesma bate com a minha. Meus olhos, minha boca... tu és minha, me pertence- mas saber disso não basta! Assume logo- quem és tu? Quem? Quem? A esposa do moço Cult; a mulher que passará o resto da vida ao lado dele ou a minha indefinição, a minha vontade e a minha vida?

# Moça, o carnaval não tarda a chegar... por mais que queiras, que precises te esconder do espelho a quarta- feira de cinzas tem data certa. O carnaval como tudo que é bom dura pouco... um dia terás que tirar a máscara da indefinição-  Quem és tu?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Saudade...

Puts! Fiquei surpresa ao ver teu carro no estacionamento naquela manhã de terça-feira.
Não sabia que estarias por aqui hoje... coincidência danada de boa!
Saudade, só! Era saudade o nome da minha manhã.
Vou ver a minha Bella, que feliz!
Eufórica, mas sem pressa - você, de certo, sentiria a minha presença- converso com um conhecido e surges ao final do corredor, linda demais! Fico encantada, tão encantada e tão por acaso tudo que até o carinha some do nada. Nem lembro se ele se despediu, ou a última palavra que trocamos, só lembro de você caminhando até mim.
Linda, linda demais!
Camisa social azul clarinho de - colarinho e punho branco; cabelos presos; sapatilhas e calça social grafite – super definindo tuas curvas, MINHAS curvas!
Carregas um ornamento a mais que dá todo um charme a produção- um sorriso no rosto mega combinando com todo o resto!
 Te aproximas, não nos tocamos. Tu olhas pro lado, pões as mãos nos bolsos e dás uma volta de 360º sem que te peça. Eu pediria, confesso! Tavas linda demais, garota! Mas tu como sempre te adiantas aos meus desejos, realizando-os antes mesmo que te peça.
-Tá linda, moça!
-Tô nada! Tô feliz, isso é FELICIDADE!!!!!!
Bom demais ouvir isso, muito bom! Feliz também...
Te aproximas de mim e passas ao meu lado bem devagar sussurrando:
- Saudade, saudade de tu, Saudade da gente, Saudade da porra!
Era exatamente essa a minha sensação, SAUDADE. E olhe que ainda era terça- feira = menos de 24 horas longe uma da outra. Puts, como o lance de tempo é foda de relativo- aula de física era pra ser assim – sentindo...
E olhe que nossos corpos juntos conseguem explicar muitas e muitas teorias da física. Conversamos sobre isso, lembra? Eles só contradizem uma- dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço- sei!!!!! As vezes parece que somos uma só - Mesmo líquido, mesma taça.
Enfim – física à parte- a distância que se interpôs entre nós era tamanha que todas as vezes em que a palavra saudade foi proferida, ou até mesmo sentida estávamos cientes das amarras, da prisão que nos encerrava, nos distanciava – não, aqui não podemos matar essa saudade!
Nem feri-la, quem dirá matá-la, digo logo!
Não, não dá.  Não, não dava.
Difícil isso, rapaz! Te ver e não poder te tocar, te abraçar, te dizer o que sinto.
É, moça... encontramos as amarras das convenções sociais- lugares sociais que nos veem, nos entendem como outras – e que esperam que sejamos essas outras que eles entendem, que eles desejam. E aceitamos isso, ainda aceitamos esse lugar que nos foi imposto. Aceito por você e talvez um pouco por mim tb.
Continuas a tua caminhada no corredor e entras na sala- reunião de departamento- Corre garota! A pausa pra um café que deu tempo de tanto sentir e de tanto pensar!
Saio do prédio com um sorriso quilométrico – olho para as pessoas que passam e nada mais é como antes. No ônibus – pela janela - admiro o céu e deixo que o vento toque meu rosto e desarrume meu cabelo como quem diz pro mundo – eu tô aqui, quero brincar!  Me deixa viver que te deixo me tocar!
Falo baixo, ou penso alto [sei lá!]: Final de semana com gosto de saudade!

# Para minha linda, que sabe como deixar em meu corpo e em minha alma um gostinho de QUERO MAIS!